BUSCAR NO SITE: OK
Délio César
http://www.deliocesar.com.br/
Anteriores.
Calendário...
 

Quero receber esta
coluna no meu e-mail!

Cadastrar           Descadastrar

Comentários de 20/08/2008. (Exibir os mais recentes)

COM OS CANDIDATOS A PREFEITO, TEM DE TUDO NA TV

Terça-feira, 20 de Agosto de 2008

    A maioria não gosta, não quer nem saber. E boa parte desliga a tevê, preferindo filmes ou qualquer variedade. Pois eu gosto. E ainda que não gostasse, trataria de ver, afinal é matéria prima para meu trabalho. Nunca perdi, é uma fonte preciosa de informação.

   O nível de produção dos candidatos a prefeito pode ser considerado bom, na média. Alguns melhores que outros, como é normal, mas os cinco deputados que efetivamente disputam a eleição estão sendo bem atendidos por suas equipes de produção. Bem melhor que em outros tempos, quando não existiam tantos recursos tecnológicos disponíveis.   

   Cada um deu o seu recado, mas é o caso de perguntar: o que foi mais marcante nesse primeiro programa?  Posso responder de diferentes maneiras. Por exemplo: foi aquela musiquinha do cassado (“Nós vamos votar de novo, no Antônio...”), que escuto há 36 anos, desde que ele foi candidato a prefeito pela primeira vez, em 1972. “Votar de novo”, no caso, vem das eleições para vereador e deputado estadual, em que foi muito bem votado.

   Desta vez, no entanto, teve outro áudio bem mais marcante: o candidato do Partido Comunista Brasileiro, Amadeu Felipe, deixou no fundo durante todo o seu minutinho de programa, o conhecido Hino da Internacional Comunista, que tem nada mais nada menos que 120 anos e até hoje é cantado pelo mundo afora. Tem um resuminho ali na frente.

FIGURÕES PRESENTES – O presidente Lula estava presente no programa de André Vargas; Hauly trouxe Álvaro Dias, José Serra e Beto Richa; e Vilson Machado (PSOL) teve a companhia da ex-candidata à Presidência Heloísa Helena. Foi notada a ausência do Gov Bob Req, que era esperado no programa de Cheida (PMDB). Mas talvez ele ainda apareça.

CHAPELIN DÁ ENCRENCA – Houve eleições em que a Rede Globo encrencou quando usaram imagens de seus artistas. Pois hoje o André Vargas usou e abusou de imagens do Globo Repórter, que mostrou o bom momento econômico que Londrina vive. O problema maior foi colocar no ar o Sérgio Chapelin repetindo diversas vezes a frase “Muito bom, não é?”.

A INTERNACIONAL -  A música de fundo do Amadeu Felipe começou como um poema escrito em 1870, na França. Não tinha melodia, até que foi transformada na Internacional Socialista, música que devia ser cantada no ritmo da Marselhesa. Tornou-se o hino do socialismo internacional revolucionário. “Seu refrão: C'est la lutte finale./Groupons-nous et demain/L'Internationale/Sera le genre humain, que, traduzindo livremente, signfica, "Esta é a luta final./Vamos nos juntar e amanhã/A Internacional/Irá envolver toda raça humana" (a tradução mais usual costuma ser: Bem unidos façamos...”. Lá no final, abaixo das “Curtinhas”, estou publicando a letra traduzida da Internacional.

   PALANQUE PODE SER PERIGOSO

    E já que estamos falando em campanha pra prefeito, olha essa que aconteceu em Antonina.

   Candidato à reeleição, o prefeito Kleber Fonseca teve um início de campanha inédito, como contou um veículo local, o Vox Populi.

   Foi assim o primeiro discurso do Fonseca:

-  Povo de Antonina! Quando eu subo neste palanque, me sinto com a força de um elefante!

No meio do povo, um moço gritou:

Cadê a tromba?

Respondeu na bucha:

…Tá no rabo da tua mãe, seu f.d.p.!

* E o comício acabou.

C-U-R-T-I-N-H-A-S

01 – “Cooomo?? Você está publicando a letra da Internacional Comunista? Mas isso é subversão! Se estivéssemos nos bons tempos do regime militar, você ia pra cadeia. Em cana! Cana de verdade, ta bom???”.  

02 – Que ainda existe idiota por aí falando coisas parecidas, não tenho a menor dúvida. Mas como eu conheço cana por “atividades subversivas”, nos tempos de estudante em São Paulo, minha resposta a esse idiota é bem simples: vai catar coquinho, vai!

03 – Essas canas estudantis foram antes do golpe de 64. Se fossem depois, não sei se sairia vivo do calabouço porque, cá pra nós, eu irritei muito os tiras da Dops de São Paulo. Como? Não entendi direito... ah sim, você quer que eu conte como fui preso, é isso? Lá vai, só uma das vezes.

04 – Em abril de 1961, os americanos e mercenários tentaram invadir Cuba, desembarcando na Baia dos Porcos, mas foram solenemente rechaçados pelos cubanos. Quando a invasão começou, reunimos um grupo de estudantes universitários, mais de trinta e fomos pichar o Consulado Americano no Conjunto Nacional. Isso aconteceu pelo mundo afora.

05 – Pinceis e tintas, íamos escrevendo nas paredes da Avenida Paulista: “Yankees, go gome”, “Cuba si, yankees no!”, “Fora imperialistas!” e mais algumas frases do momento. Os tiras chegaram, quando a parede estava toda pintada. Fomos uns 15 em cana.

06 – Lá pela meia-noite, começaram a libertar um por um. Duas da madrugada, todos soltos, menos um: yo mismo. É que eu havia sujado de tinta os ternos de dois policiais da Dops. Ninguém foi embora e começaram a chegar deputados pra me libertar. Lembro-me de dois: Luciano Lepera (estadual) e Almino Afonso (federal), que veio a ser vice-governador.

07 – Fui libertado depois das 9 da manhã e recebido com festa pelos amigos que lá ficaram me esperando. Imprensa presente, saí  com foto e tudo na capa da Folha de S.Paulo. Quando voltei para Londrina em definitivo, alguns meses depois, minha fama de “subversivo” por aqui estava bem plantada. Para alguns idiotas, continua até hoje; para uns poucos do PT, virei direitista. Enfim... vão catar coquinho! – uns e outros.

HINO DA INTERNACIONAL SOCIALISTA

De pé, ó vÍtimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Imprimir                  Enviar por e-mail




                                  :.  Desenvolvido por  IMAGINACOM


Conteúdo de autoria de Délio César.
http://www.deliocesar.com.br/