Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
São 407 os que se inscreveram como candidatos a vereadores. Hoje começou o desfile no rádio e na televisão, mostrando com clareza que tudo está igualzinho a quatro anos atrás, quando foram eleitos os dezoito atuais e seus suplentes que assumiram.
As pesquisas confirmam o que se sabia em eleições anteriores: a maioria acredita que pode escolher candidato através da televisão, onde cada um mostra a cara e dá uma mensagem curta. Para as pessoas esclarecidas isso pode parecer até absurdo, mas é preciso entender que o eleitorado mais humilde não conhece candidatos.
Um pouco diferente de outras eleições é a promessa de um “novo tempo” embutida nas expressões mudar e renovar. Isso é decorrência direta dos escândalos que afetaram a Câmara e repercutiram intensamente no seio de toda a sociedade. Então, aquela pregação reformista ou mudancista repetida a todo momento no auge do escândalo, defendendo total renovação com a troca dos 18 vereadores, isso foi capturado pelos candidatos, até mesmo alguns manjados que estão em todas há muitos anos. Puro oportunismo.
Na televisão, vi não poucos amigos se apresentando como candidatos. Entre eles, virtudes reconhecidas, tal como aconteceu em eleições anteriores. Mas também apareceram algumas figuras que, para o bem do serviço público e em nome de um regime de moralidade e decência, não deveriam nem passar por perto da Câmara.
Enfim, gente nossa, nada de expressivamente novo. Vamos às urnas como sempre, escolhendo entre os conhecidos aqueles em quem acreditamos. Olhando para a frente, é possível ter uma boa certeza: depois do que aconteceu este ano o comportamento do colegiado da Câmara vai melhorar pra valer. E vai mesmo, ainda bem.
NEM CHEGOU, MAS SERÁ ATROPELADA
Agora estou me referindo à TV Digital. Aqui em Londrina já temos a Flex TV, mas em termos nacionais ainda está distante, vai chegando aos pouquinhos. Só que será atropelada em poucos anos pelas novas tecnologias centradas no IPTV, que vai “completar a revolução impulsionada pelo crescimento global da Internet”.
Quem garante esse atropelamento é o mais respeitado especialista em tecnologias da informação e economia digital, o jornalista Ethevaldo Siqueira, que tem colunas em diversos jornais e programas ao vivo em redes de rádios.
Em poucos anos, essas inovações vão mudar a forma de assistir
TV mundo afora. Especialistas apontam que no prazo máximo de uma década, o IPTV vai atropelar a TV digital e completar a revolução impulsionada pelo crescimento global da internet.
Trocado em miúdos, o que vem por aí, em termos mundiais, é a “conexão de um televisor a um roteador de banda larga, que emite os sinais diretamente da web para que o telespectador acompanhe as novidades virtuais”. A nova televisão virá do computador com inúmeras opções tecnológicas e, o que é bom, muita economia. Ótimo, que venha logo.
“QUEM É BRANCO QUE SE CUIDE”
Olha, sempre recebo aqui trabalhos de bons conteúdos, alguns extraordinários. Como sei que eles circulam intensamente pela Internet, não costumo reproduzir. Mas este aqui, que já chegou há umas duas semanas, desta vez vai ser transcrito porque, tenho certeza, muitos não o leram ainda. É trabalho de um dos homens mais respeitados deste País, o mestre Ives Gandra da Silva Martins, com um tema que até surpreende. Então, sem falar mais, só recomendo: está lá no final do espaço, depois das “Curtinhas”. Pra quem ainda não leu, vai surpreender.
HÁ 39 ANOS, AQUI MESMO
Título na Folha de Londrina, em julho de 1979: “Ulysses e Brossard amanhã em Londrina defendem MDB”. Ainda era regime militar, em plena vigência do famigerado AI-5, e as boas lideranças lutavam para que a ditadura não extinguisse o velho MDB.
Londrina foi escolhida para o lançamento nacional dessa mobilização. E, além de Ulysses Guimarães e Paulo Brossard, olha só quem mais estava na comitiva: Mário Covas, Tancredo Neves, Fernando Henrique Cardoso, Teotônio Vilela e mais um punhado de deputados e senadores.
Esse encontro foi com casa lotada no antigo Grêmio Literário e Recreativo Londrinense, que hoje virou igreja evangélica ali na alameda, abaixo da Catedral.
EMOÇÕES – Foi uma noite de muitas emoções. Como sei? Ora, eu estava lá e fui encarregado de ler a “Carta de Londrina”, com uma palavra de ordem adotada nacionalmente: “MDB de pé!”. Só que... não conseguimos ficar de pé coisa nenhuma. MDB virou PMDB, que manteve a luta, ganhou a redemocratização e... hoje é essa coisa feia que está aí.
C-U-R-T-I-N-H-A-S
1 – Essa matéria da Folha, de 1979, sobre o lançamento da campanha para salvar o MDB, mostra porque Londrina foi escolhida para o início da campanha nacional: aqui, o partido era muito forte.
2 – Trecho da matéria: “Londrina foi escolhida... face à sua representatividade emedebista, com 5 dos 25 deputados federais paranaenses (Hélio Duque, Olivir Gabardo, Osvaldo Macedo, Álvaro Dias e Waldmir Belinati), três estaduais (Del Ciel, Nelson Malaguido e José Tavares), dois senadores (Leite Chaves e José Richa), além do seu prefeito Antônio Belinati”.
3 – Outros tempos, é verdade. Veja-se que esse time de 79 rendeu dois governadores, eleitos pelo voto direto. Em compensação, algumas carreiras terminaram em poucos anos e as mudanças partidárias foram muitas, depois da abertura política.
4 – Dos onze emedebistas citados na matéria, um morreu (o governador José Richa) e apenas dois continuam na política: o cassado A.Belinati, que quer voltar à Prefeitura; e o senador Álvaro Dias, que planeja o retorno ao governo paranaense.
5 – Hoje 45, amanhã 44, depois 43, domingo 39... e aí vai rolando a contagem regressiva até terminar o horário gratuito para propaganda eleitoral. A maioria faz essa contagem, de verdade.
6 – Mas precisamos convir: se essa coisa é bem xarope, torna-se importante considerar que é o principal instrumento para divulgação dos candidatos, tanto a prefeito-vice, como para vereadores. Ruim com ela, pior sem a própria – a propaganda. Então, 45...
'VOCÊ É BRANCO? CUIDADO!'
Ives Gandra da Silva Martins*
Hoje, tenho eu a impressão de que o 'cidadão comum e branco' é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se auto-declarem pertencentes a submetidas a possíveis preconceitos. Assim é que, se um branco, um índio ou um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles. Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.
Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 183 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele. Nesta exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não índios foram discriminados. Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.
Os homossexuais obtiveram, do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef, o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências, algo que um cidadão comum jamais conseguiria.
Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem este 'privilégio', porque cumpre a lei.
Desertores e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' àqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos. São tantas as discriminações, que é de se perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?
Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.
*IVES GANDRA DA SILVA MARTINS - Professor Emérito das Universidades Mackenzie e UNIFMU, da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, e é Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.